Acordo todos os dias, olho no espelho e não gosto do meu rosto. O canto da minha boca caiu e a transição do rosto para o pescoço está se perdendo. Pareço triste ou desanimada. Quando dou uma puxada na pele, vejo o rosto que eu queria ter. Não sei se devo fazer uma plástica ou se existe algum tratamento que não seja cirurgia para que eu me sinta melhor.
Você se identificou com o texto acima? O primeiro passo para começar a resolver o problema, entender qual é o melhor tratamento dermatológico e procedimento estético para flacidez é procurar ajuda e informação. A flacidez é um problema complexo e a culpa é colocada toda na pele, porém, não é somente ela que gera a queda do rosto.
No processo de envelhecimento todas as estruturas do rosto vão se modificando. Os ossos da região lateral das bochechas e das têmporas afinam e achatam. Ao mesmo tempo bolsas de gordura boa como as bochechas atrofiam enquanto bolsas ruins como as da lateral da mandíbula (buldogue) aumentam. Essas modificações reduzem a sustentação dos músculos e da pele. O envelhecimento atinge também os músculos. Da mesma forma que o corpo se torna flácido ao longo da vida e as juntas envelhecem, os músculos do rosto perdem massa e os tendões se tornam mais frouxos e portanto, flácidos. Os músculos do pescoço, utilizados na fala e mastigação, tendem a ser tornar mais fortes e fazem o movimento de puxar o rosto para baixo, o que acentua o problema.
A pele sofre várias modificações. Ocorre perda das fibras colágenas e da elastina, redução dos vasos e das células produtoras de colágeno. A camada externa da pele pode afinar ou engrossar, mas em ambos os casos ocorre redução na produção dos fatores naturais de hidratação. A perda das fibras de sustentação gera a flacidez e a redução dos fatores de hidratação, ressecamento. Com isso, a pele reduz o brilho e o tônus.
Para definir a melhor estratégia de tratamento é necessário identificar quais componentes do envelhecimento estão presentes e o classificar o estágio.
Estágio 1 (30 – 40 anos): Fase em que ocorre a atrofia de gordura em pontos de sustentação localizada e achatamento leve dos ossos. O melhor tratamento é o uso de preenchimentos nos pontos de perda para repor o que foi perdido e toxina botulínica para equilibrar os músculos. Nesse momento é interessante começar a estimular a produção de colágeno com produtos específicos injetados sob a pele (Sculptra, Radiesse, hidratação facial com ácido hialurônico) ou aparelhos como a radiofrequência e o ultrassom microfocado para atrasar o processo de envelhecimento.
Estágio 2 e 3 (40 – 60): Atrofia moderada a grave da gordura nos pontos de sustentação, achatamento perceptível dos ossos, início das bolsas de gordura, flacidez leve a moderada de ligamentos, músculos e pele moderada, aumento de força dos músculos do pescoço. Nessa fase é necessário tratar todos os componentes para promover um rejuvenescimento global. Uma das melhores opções é o ultrassom microfocado. Esse aparelho possui 3 ponteiras, a primeira atinge a camada superficial dos músculos da face e pescoço, a segunda a derme profunda e a terceira a derme superficial. Nos casos de flacidez mais intensa é indicado o uso de fios de sustentação após o ultrassom. Esses fios vão puxar a pele para cima e promover o reposicionamento da mesma. Já o preenchimento é indicado em casos sem tanta flacidez ou após o uso do fio complementados.
Estágio 4 (60 anos em diante): Atrofia grave da gordura nos pontos de sustentação, afinamento importante dos ossos da face, aumento significativo das bolsas ruins como das pálpebras, buldogue e papada, flacidez grave de ligamentos, músculos e pele. A maioria dos pacientes desse estágio tem indicação inicial de plástica para em seguida realizar os mesmos tratamentos dermatológicos do estágio 2 e 3. Caso a pessoa não queira se submeter a uma plástica, ainda é possível realizar tratamentos dermatológicos. Os resultados serão mais leves, mas mesmo assim são capazes de melhorar a harmonia do rosto.
A idade correspondente ao estágio não é uma regra, ela é um guia geral. Pessoas de 30 anos podem ter flacidez no estágio 3, enquanto outras de 50 anos podem ter somente atrofia dos pontos de sustentação e flacidez leve. Tudo vai depender da sua genética e dos cuidados com a pele no dia a dia. O dermatologista está apto a indicar o melhor tratamento conforme o seu rosto. O importante é não deixar para depois pois os problemas tendem a progredir.

